DOUTRINAS BATISTAS FUNDAMENTAIS

A  SALVAÇÃO



Salvação é um termo que abrange muitos aspectos, Por exemplo há salvação no passado,  no presente e no futuro, ou seja, salvação da penalidade, do poder e da presença do pecado. Há salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação, e do corpo na glorificação. Incluídas nesses diversos aspectos encontram-se ensinamentos  que, em conjunto, constituem o que chamamos de doutrinas da salvação.

A DEPRAVAÇÃO TOTAL -  Roms 1:18-32  - 3:12

Este ensinamento constitui a base da doutrina bíblica da salvação. Além de demonstrar o estado pecaminoso no qual a humanidade se encontra, iniciada desde a queda no jardim do Éden, e a total incapacidade de providenciar a sua própria salvação e restauração, é também demonstrar que o homem é uma criatura falida, o qual não possui, em si mesmo, a capacidade para produzir algum meio pelo qual ele possa merecer e ganhar aceitação diante de Deus, e fundamentar como base bíblica, a necessidade da salvação pela graça. Efs. 2:8-10.

A sua ruína:

a-) No espirito:- O espírito humano se define pelas suas três funções: consciência, intuição e comunhão. Quando o homem pecou, ele ficou “separado da vida de Deus” (Efs. 4:18, 2:1) e privado da comunhão do espírito de Deus com o seu espírito. A partir de então o homem se entregou à adoração de deuses falsos (Roms 1:21-23). Sua consciência ficou contaminada (Tito 1:15),  e consequentemente Deus os “entregou às concupiscências  de seus corações, à imundícia...”(Roms 1:24) e “os abandonou às paixões infames” (Roms 1:26, Efs 4:19). Só assim é que se explica o grau da imundícia ao qual o homem chegou. A consciência constantemente reprimida, deixa de funcionar, e o homem é entregue a uma “mentalidade reprovada” (Roms 1:28).

b-) Na alma:- A alma consiste em emoções, inteligência e vontade. O entendimento do homem ficou completamente obscurecido e ele não consegue compreender as coisas do Espírito de Deus (I Cor 2:14; Roms 1:21-22;  3:11; Efs 4:18,19; 2:3). Quanto às suas emoções, o homem, no seu estado natural, não tem capacidade para amar a Deus  (João 5:42) e quanto à sua vontade está escravizada pelos desejos da natureza carnal (Efs 2:3).

c-) No corpo:- A morte física é resultado da queda do homem (Roms 5:12). O corpo se chama “o homem exterior” e se corrompe de dia a dia (II Cor 4:16). Todos os sinais da velhice e da morte são uma prova visível de que o homem  é criatura caída.

O homem portanto, está estragado em todo o seu ser, o retrato não é nada bonito, já foi analisada o estrago e a ruína do homem ( Is. 1:5,6; Roms 3:10,18; Salms 14:1,3; 36:1;53:1,3; Ecls 8:11,  Jerem 17:9),  a queda do homem portanto é universal e total atingindo todas as pessoas de todas as raças e épocas, achando-se então  por natureza debaixo da condenação de Deus justo e santo (Efs 2:3). Ele, o homem  é filho espiritual do Diabo (João 8:44), sendo escravizado e controlado por Satanás através das suas próprias paixões carnais ( II Tim 2:25,26; Roms 8:19,21).

A DEPRAVAÇÃO TOTAL HEREDITÁRIA E IRREMEDIÁVEL

Herança é algo que recebemos de nossos pais  e a depravação natural,  é justamente o que herdamos deles, os quais por sua vez ganharam dos seus, e assim por diante. Adão e Eva já caídos, transmitiram aos seus descendentes uma natureza, ou instinto ruim que nos inclinam  para o lado do pecado. ( Roms 5: 12;  Salms 51 :5; 58: 3;  Jo  14: 1,4). Essa natureza se chama “carne”,  ela faz com que não tenhamos a capacidade de agradar a Deus (Roms 7:18; 8:7,8), e  mancha até as boas ações  dos homens, de modo que a nossas “justiças” são consideradas por Deus um trapo imundo ( Is 64:5) .

Do Senhor vem a Salvação

Por causa de sua depravação o homem não tem nenhuma inclinação natural para buscar a Deus (Roms. 3:11). Vemos portanto, que cabe a Deus a iniciativa em nossa salvação. Ele busca a nós, esta verdade foi dita por Cristo (João 6:44), “trazer” significa “atrair” (João 12:32), Deus, através de Cristo, atraí todos os homens, assim tornando possível a sua salvação. Ninguém terá a desculpa de dizer que não lhe foi possível salvar-se, visto que Deus não o “atraiu”. O Espírito Santo mexe nos corações de todos os que ouvem o evangelho para desperta-los para a necessidade da salvação (João 16:8,11), o homem se perde somente porque resiste ao próprio Deus, (Atos 7:51),  portanto ninguém vai para o inferno pelo pecado de Adão (João 1:29). Argumenta-se que o homem é tão depravado,  que não tem condições de arrepender-se de seus pecados, mas Deus exorta a todos os homens a que se arrependam (Atos 17:30) e Ele só manda que façamos algo,  que seja possível fazer. A verdade é que,  de fato, com a nossa mente e a nossa vontade escravizadas pelo pecado e pelo Diabo não podemos, por nós mesmos, nos arrepender e voltar para Deus, não tendo em nós nenhuma disposição natural para isso. Mas, como vemos,  Deus toma a iniciativa e procura nos despertar, e essa obra, é a obra  geral do Espírito Santo, e a real experiência do todo o homem,  com Deus ( João 1:9), de modo,  que, qualquer um que chegar ao inferno terá que confessar que Deus lhe ofereceu a oportunidade de se salvar, e que ele está lá por escolha própria (I Tim 2:4,5;   II Pd 3:9). É a rejeição categórica do evangelho que condena o indivíduo para o inferno, e não o seu estado natural de depravação, visto que Deus já superou essa dificuldade (João 3:18; 3:36; 5:24). Lembremo-nos que, ao pregarmos o evangelho, o mesmo será acompanhado do próprio poder de Deus, o qual torna possível a conversão do todos quantos nos ouvem (Roms 1:16; I Cor 2:1,5).


A SALVAÇÃO NÃO É PELAS OBRAS  - Roms 3:24; 11:6

O homem não tem nada para oferece a Deus:

Não tem justiça própria  ( Isaías 64:6; Tito 3:5).

Não é justo ( Roms 3:10; Roms 3:23).

Nem será justificado diante de Deus pelas  obras (Roms. 3:20; Gal 2:16; II Tim 1:9)


A SALVAÇÃO É SOMENTE PELA GRAÇA - Efs 2:8,10;

A salvação provém exclusivamente da graça de Deus,  sem os esforços das obras, ou mérito do homem, o mesmo não tem que trabalhar ou fazer qualquer esforço para ganhar a salvação (Apoc. 21:6). Ela é um presente de Deus e para que seja aproveitado, ele deve ser aceito ou recebido. A mesma é oferecida a todos ( Apoc. 22:17; Isa. 55:1). Ela veio por meio de Jesus Cristo (João 3: 14, 18, 36;  14:6;  I Jo. 4:9). Foi pela sua vida perfeita,  sua morte na cruz, e pela sua presente mediação no céu por nós, é que somos salvos. Tudo é feito por Ele, Ele não deixou nada por fazer; Compete ao pecador simplesmente reconhecer o seu pecado e confiar em Cristo, abrindo-lhe o seu coração e a sua vida, e será salvo no mesmo instante.

O ARREPENDIMENTO E A FÉ – Atos 3:19; 26:17,20

O arrependimento e a fé são os únicos requisitos necessários  do lado humano para a salvação, e significam uma verdadeira conversão de uma vida de pecado para uma nova vida em Cristo.

Seu significado

a-)  É uma mudança de pensamento ou de ponto de vista no tocante a nossa obrigação para com a vontade e a palavra de Deus. É mudar de ruma na  vida  moral e espiritual, não é uma simples reforma, mas sim uma mudança profunda e radical no coração do indivíduo, sendo uma obra do próprio Espirito Santo.

b-) O arrependimento sempre procede a fé porque é necessário que o pecador mude o seu ponto de vista para poder crer em Cristo; O arrependimento principia a fé, e a fé completa o arrependimento.

A importância do arrependimento:

Foi pregado por:

1-) O próprio Cristo (Marc 1:15; Mats 4:17, 9:13; Lcs 24:47); por João Batista (Mats 3:12); por Pedro (At.26:20); por Paulo (Ats 26:20) e por todos os apóstolos (Mcs. 6:12). O verdadeiro arrependimento não pode existir sem primeiro a “convicção dos pecados”, assim o verdadeiro arrependimento consiste em:

a-) Tristeza;- (II Corint 7:7-10), referimos aquela tristeza que cria em nós o nojo ou repugnância ao pecado  (Slms 51:17). É a convicção do Espírito Santo que provoca no pecador o desejo ardente de descobrir o caminho da salvação (Atos 2:27; 16:29).

b-) Confissão;-  (II Sam. 12:13; Lcs 18:13), essa confissão é feita a Deus, e também diante dos homens (Mats 3:6; Salms 51:1,5; 32:1,5), é uma confissão simples e sincera, sem se justificar, nem sequer por a culpa sobre terceiros  (Samls 51:4).

c-) Decisão:- O verdadeiro arrependimento é incompleto sem uma firme decisão do pecador de abandonar o seu pecado e voltar-se para Deus, buscando o perdão e purificação (Isa. 55:6,7; Atos 8:22, Lcs 15:18).

A REGENERAÇÃO  -  João 3:3,6

A regeneração é uma obra de Deus em nós e acontece no instante em que a pessoa crê em Cristo como Salvador. O sentido desta palavra, é o “novo nascimento” (Tito 3:5). A Bíblia ensina que o  homem não pode salvar-se, mas apensas “reformar-se, ou corrigir-se” ( Mats  9:16,17), e que ele necessita de um novo nascimento e de uma nova vida (Jo. 3:3). Portanto assim cremos que a regeneração, ou seja, o novo nascimento, faz parte de uma conversão autêntica, sendo efetuada pelo Espírito Santo no pecador arrependido,  no momento em que ele aceita a Cristo como Salvador, Deus através da regeneração, renova-o, ou dá-lhe um novo espírito (Ezeq 36:26,27), tornando-nos  “participantes da natureza divina” (II Pd 1:4); sendo então “filhos de Deus”(João 1:12), nascidos da semente incorruptível (Jo. 1:13,  I Pd 1:23,25; I Jo. 3:9),  resultando na comunicação de uma nova vida,  novos sentimentos, os quais se manifestam através de novos hábitos  chamado “ os frutos de arrependimento“  (II Cor 5:17).

A JUSTIFICAÇÃO – Roms 3:24,26; 4:1,8; 5:1.

Cremos que o pecador arrependido é eternamente justificado por Deus na hora em que crê em Cristo como Salvador e Senhor, e que a justificação significa o perdão dos pecados atribuídos a ele da perfeita justiça e santidade de Cristo (Atos 13:39; Roms 5:1; 8:1; 3:24,26).

A justificação bíblica  é um ato definitivo de Deus, a favor do pecador realmente culpado, pelo qual o mesmo é pronunciado ou declarado justo, inocente, e livre da culpa do pecado para todo o sempre (Lcs 18:14). Os seus pecados não aparecem mais nos registros do tribunal do céu, e a justiça positiva de Cristo passa à ser lhe atribuída.

Como Deus nos justifica:  Roms 5:8,9; 3:25.

Deus justifica o pecador pelo sangue de Cristo, derramado na cruz. Ele transferiu a nossa culpa e os nossos pecados para Cristo, e lá na cruz, castigou esses pecados. Cristo sofreu a ira de Deus em nosso lugar. Nosso pecado foi transferido a Cristo, e em troca a justiça dEle foi transferida para nós (II Cor 5:21; Isa 53:4,6). O homem não é justo, mas na hora de crer em Cristo, “sua fé é lhe imputada como justiça”(Roms 4:5), e diante de Deus ele é achado nEle, não tendo a sua justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fil.  3:9; Gal 2:16). Agora o crente tem um advogado para responder ou defende-lo de qualquer acusação que aparecer contra ele (Roms 8:33; I Jo 2:1,2).

SEGURANÇA E CERTEZA DOS SALVOS – Roms 8:33,39.

O que queremos dizer com “segurança dos salvos”, é que os verdadeiros salvos nunca irão perder a sua salvação, e que uma vez salvos,  o estão  para a eternidade, se uma pessoa puder perder sua salvação, então sua “segurança” dependerá das suas próprias forças. Isto seria salvação  pelas obras, e não pela graça (Efs 2:8,9). Todo crente nascido de Deus faz parte da sua família, e está ligado a ele através dessa filiação; portanto está eternamente seguro em Cristo, podendo perder a sua “comunhão”, mas nunca sua filiação (I Pdr 1:3,5; Jo 10:27,30;  II Tim 1:12).

A SANTIFICAÇÃO – I Tess 5:23; Roms 6:22

Deus sendo santo, não tolera a impureza na sua presença (Jos 24:19; I Sam 6:20; Hbs 12:14). Por isso, Ele exige que todos os que o servem e o adorem, sejam santos (I Pdr 1;16). Santificação entende-se, tornar-se santo, puro, ou separar-se para uso sagrado. Uma pessoa santificada é uma pessoa separada do mundo e completamente dedicada ao serviço de Deus (II Tim 2:21). Tal como outros aspectos da salvação do crente, a santificação é realizada de modo duplo. Há uma parte que somente Deus pode desempenhar, e fazer; há outra parte que pertence ao homem, pela qual ele é responsável.

A santificação instantânea.

Somos santificados uma vez para todas no instante em que cremos em Cristo pelo seu precioso sangue (Hbs 13:12; 10:10,14, Ats 26:18). Este aspecto da nossa santificação fala da nossa posição que ocupamos diante de Deus. E é  perfeito, não é possível acrescentar e nem melhorar nada. Somos também “santificados pelo Espírito Santo” (Roms 15:14-16) e isto na hora de crermos em Cristo (II Tess 2:13, I Pdr 1:2; I Cor 6:11). Ele nos convence do pecado, nos separa dos demais homens para crermos, sendo por ele regenerados (Ats 16:14). ]

A santificação progressiva.

Depois de nos santificar para a salvação, o Espírito Santo procura dar prosseguimento prática da nossa vida, ajudando-nos a tirar os olhos das coisas do mundo e a dedicar mais e mais ao Senhor. O Espírito Santo purifica as nossas vidas de toda qualidade de pecado e imundícia  para que possamos gozar  da comunhão cada vez mais perfeita com o nosso Pai (II Cor 6:14; 7:1). Nós nos aperfeiçoamos desenvolvendo a  nossa salvação, cooperando com o Espírito Santo em nossas vidas.

Devemos lembrar sempre de que é realmente “Deus é quem opera em nós, tanto o querer como o efetuar (Fil 2:13)”. Qualquer santidade em nossas vidas é obra do Espírito Santo e elimina qualquer vanglória da nossa parte. Paulo apela  para que nós apresentemos os nossos membros não à imundícia, como antes, mas agora “para servirem à justiça para a santificação (Roms 6:19). O resultado desta entrega, é a santificação prática (Roms 6:22). Quanto à nossa  posição em Cristo, não podemos nunca ser mais santificados  do que somos atualmente, mas quanto ao nosso estado ou situação temos que progredir diariamente na santidade.


 

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