DOUTRINAS BATISTAS FUNDAMENTAIS

JESUS CRISTO



Jesus Cristo é a figura central da história do mundo. Este não pode esquecer-se dele enquanto se lembrar da História, pois a história é a história de Cristo. Omiti-lo  seria como omitir da astronomia as estrelas ou da botânica as flores. A historia da raça, desde sua concepção, tem sido a história da preparação para a vinda de Cristo. O Antigo Testamento prediz essa vinda através de tipos, símbolos e profecias diretas. A história de seu povo, Israel, é uma história de expectativa, de anseio e de preparação. A pessoa de Jesus Cristo não somente está firmemente engastada na história humana e gravada nas páginas abertas das Escrituras Sagradas, mas também é experimentalmente materializada nas vidas de milhões de crentes e entrelaçada no tecido de toda a civilização digna desse nome.

A IMPORTÂNCIA DA FÉ EM CRISTO:

As escrituras apresentam a pessoa de Cristo como tema central da mensagem transmitida aos homens através dos séculos até o presente:

Era o tema da mensagem dos antigos profetas – Atos 3:20  - Atos. 10:43

Foi o tema da mensagem dos apóstolos Atos 5: 41-42;  9:19-20

Foi o tema da mensagem apresentado aos judeus Atos 17:1-3

Foi o tema da mensagem apresentado aos gentios Gal. 1:15-16

É o tema do Evangelho que temos ordem de pregar (Roms. 1:1-3  I Cor. 15:1-4).

É necessário ter fé nele – Atos 16:31 – João 3:16 e 36

Aquele que crê nele nunca morrerá – João 1125-26


I -  SUA PREEXISTENCIA E ETERNIDADE

A preexistência de Cristo implica em sua existência antes de sua encarnação. As escrituras nos ensina muito claramente. Ela ensina também que Ele existiu deste toda a eternidade. João 1:1  - João 6:38  - João 17:5


II  - SUA ENCARNAÇÃO

O fato da encarnação:

- O verbo uniu-se com a humanidade pela encarnação,  fez-se carne,  tomou sobre si um corpo humano, habitou entre os homens e finalmente se deu como sacrifício pelos pecadores  João 1:14  Filip. 2:6-7  Hbs 10:5

A necessidade da encarnação:

- Era necessária para que se restabelecesse a reconciliação entre o homem e Deus         (Hbs 2:17,18; 4:15, I Timot. 2:5).  Encontramos na Bíblia, ensinos de que a união desta natureza a humana com a divina é eterna e indissolúvel. Quando o verbo uniu-se a carne, uniu-se uma vez para sempre Hbs. 7:24,28

- Foi preciso que ele tivesse um corpo para que pudesse “em tudo ser tentado como nós somos”, de maneira que como sumo sacerdote compadeceu-se de nossas fraquezas Hbs 4:15 – Hbs 2:18, e  também aturasse o sofrimento corporal se era para ele sofrer como substituto do homem.

- Foi preciso que ele tivesse provação na carne e rendesse perfeita obediência à Lei        para que houvesse operado uma “justiça” que pudesse ser-nos imputada Roms 3:21.

-  Foi necessário em seu ministério, a sua escolha dos doze apóstolos e fundação da igreja, a sua fixação de um modelo para nós de perfeita obediência à vontade de Deus.

Estes são alguns fatos elementares vistos por Deus,  que podiam ser melhor cumpridas por um na carne. Portanto, o Cristo incarnado foi enviado a cumpri-las.

III  - A HUMANIDADE DE CRISTO

Jesus Cristo era o  Filho do homem, conforme ele mesmo se proclamou. Sua  humanidade é demonstrada por:

Seu nascimento  humano  Gal. 4:4 – Mats 1:18

Ele é o representante de toda a humanidade. ele  era “Filho do homem” no sentido de ser o único que realiza tudo que está incluído na idéia do homem, na qualidade de segundo Adão, o cabeça e representante da raça. Ele pertence a à raça e dela participa, nascido de mulher, vivendo dentro da linhagem humana, sujeito às condições humanas e fazendo parte integral da história do mundo. Ao nascer submeteu-se às condições humana e do corpo humano, e sendo assim se tornou descendente da humanidade por meio de seu nascimento.

Seu crescimento e desenvolvimento naturais Lcs. 2:40,46,52.

A humanidade de Jesus passou pelos diversos estágios de desenvolvimento, como qualquer outro membro da raça. Da infância à juventude, e da juventude à idade adulta, houve crescimento constante, tanto em seu vigor físico como em suas faculdades mentais.

Sua aparência pessoal. João  4:9; 20:15.  Isaías 53:2,3.

A aparência pessoal de Jesus não mereceu menção particular nas Escrituras. Há poucas alusões a mesma. Evidentemente a pessoa de Jesus, em seu estado terreno não é para ser objeto  de contemplação ou forma de representação. No entanto ele tinha aparência  de homem, e ocasionalmente confundiam-no com outros homens.

Possuía natureza humana completa, corpo, alma e espírito. Mts 26:12,38–Quando Jesus se encarnou, passou a possuir verdadeira natureza física humana, pois foi feito “em semelhança de homens”. Essa natureza entretanto, não era carnal. Era isento de pecado. Na verdade ele possuía duas naturezas: a divina e a humana.

Suas limitações humanas sem pecado  João 4:6; 19:28;  Mats 8:24; 21:18; Lcs 22:44;  I Cor 15:3. Jesus Cristo estava sujeito às limitações físicas comuns da natureza humana, como a fome, a sede ao cansaço, a dor e a morte.

Suas limitações intelectuais  Lcs 2:52; Mcs 11:13; 13:32

Em seu estado de humilhação, o Filho de Deus pôs de lado o exercício de todos os atributos da divindade, fazendo uso de sua inteligência divina somente para viver sob a orientação do Espírito Santo. Ele tinha capacidade para adquirir conhecimento e crescer mediante a observação, e para limitar o mesmo.

Suas limitações espirituais Mcs. 1:35; Atos 10:38.

Por ocasião da encarnação, Jesus Cristo trocou a sua vida independente pela vida dependente. O período da sua dependência, foi o de sua humilhação. Prolongou-se de Belém ao monte das Oliveiras, ou seja, durante o período de sua vida encarnada sobre a terra. Depois ele assumiu a glória que tinha com o Pai antes que houvesse mundo, bem como todas as prerrogativas de sua divindade.

IV  - A DIVINDADE DE JESUS CRISTO

Para quem aceita a doutrina bíblica da Trindade, evidentemente não há necessidade de argumentos para provar a Divindade de Jesus Cristo, pois a aceitação de uma abrange a outra. Se Jesus Cristo é a Segunda pessoa da Trindade, é da mesma essência do Pai e do Espírito Santo, possuindo igual poder e glória. Sua divindade é demonstrada:

Por seu nascimento sobrenatural. Mats 1:18, 23; Is 7:14;  Lcs 1:35; João 1:14.

A concepção sobrenatural é harmoniosa com o nascimento de uma pessoa sobrenatural. Jesus Cristo é a manifestação ímpar do sobrenatural no terreno natural, o milagre de sua concepção está de conformidade com a natureza miraculosa de sua pessoa. Somente meios sobrenaturais de encarnação parecem adequados para a entrada no mundo de uma pessoa divina e pré-existente.

Pelos nomes divinos que lhe são dados nas Escrituras:

Deus – Hbs 1:8; João 20:28; 1:18; 5:20; Roms 9:5. O termo é aqui usado no sentido absoluto, referindo-se à divindade. João 10:33-36

Filho de Deus -  Mts 16:16,17; 27:40,43; Mcs 14:61,62; Lcs 22:70. Esse nome é dado a Jesus Cristo quarenta vezes nas Escrituras. Jesus não reivindicou esse título para si mesmo, mas aceitou-o quando usavam para indicá-lo. 

O Santo – Atos. 3:14

Senhor  -  Atos 9:17; 16:31; 4:31; Lcs 2:11

Senhor de Todos e Senhor da Glória – Atos 10:36; I Cor 2:8. Os nomes e títulos que claramente implicam divindade são usados à respeito de Jesus Cristo.

Pelo culto divino que lhe é atribuído. Mats. 4:10; Apoc 22:8,9.

Adoração como a que Cristo recebeu era ordinariamente prestada somente a divindade. Portanto o receber este culto, Cristo reconheceu seu direito como Deus.

As Escrituras reconhecem que o culto é devido exclusivamente a Deus.  Atos 12:20,25; 14:14,15, ele sem qualquer hesitação, aceitou adoração e encorajou-a. João 13:13; Mats 14:33; Lcs 24:52

A vontade de Deus revelada é que Cristo seja adorado – Hbs 1:6

Era prática da Igreja primitiva orar a Cristo e adora-lo. I Cor 1:2. Jesus Cristo, em harmonia com a vontade revelada de Deus, aceitou sem hesitação a adoração que pertence exclusivamente à divindade, adoração esta que homens piedosos e anjos bons sempre recusavam horrorizados.

Pelo ofícios e funções divinos que as Escrituras lhe atribuem.

1- Criador do universo – João 1:3 – Hbs 1:10. Jesus Cristo é o criador, e não uma criatura, e nessa qualidade é infinito e Divino, e não humano, é Deus e não homem.

2- Preservador de tudo – Hbs. 1:3; Coloss. 1:17. O que nós chamamos leis da natureza são as ações voluntárias do Filho de Deus. A preservação de todas as cousas.

3- Perdoador de pecados -  Mcs 2:5,10,11. Eis outra prerrogativa exclusiva de Deus.

4- Doador da vida imortal e da vida de ressurreição. Filip. 3:21; João 5:28,29

Transmitir vida pertence exclusivamente a Deus, a capacidade de Jesus Cristo e sua autoridade para levantar os mortos estabelecem  firmemente sua divindade.

5- Juiz de vivos e mortos – II Timot. 4:1; Atos 17:31; Mats 25:31. No Novo Testamento, o julgamento futuro é atribuído a Deus e também a Jesus Cristo. A conclusão lógica é que Cristo é o Deus que executará todo julgamento futuro.

6- Doador da vida eterna. João 17:2; 10:28. Somente um ser que possui inerentemente a vida eterna é que pode proporcioná-la, e somente Deus possui a vida eterna no sentido absoluto; por conseguinte Jesus Cristo, para ser “doador” da vida eterna, necessariamente há de ser Deus.

7- Profeta.    Deut. 18:15; Mats 21:11, Lcs 24:19; João 6:14 O profeta representava Deus diante dos homens, e o seu verdadeiro trabalho, era fazer conhecida aos homens a vontade de Deus; Outro ofício era encaminhar o povo nos caminhos traçados por Deus.  Três eram os métodos empregados no desempenho de sua função: o primeiro, era ensinar o povo, o segundo predizer os acontecimentos futuros, e o terceiro consistia em operar milagres, o que concorria para que as suas mensagens fossem mais bem acatadas pelo povo em geral.

8 -  Sacerdote. Hbs 3:1; 5:5; 6:20;

O sacerdote representava os homens diante de Deus, devido a sua relação íntima com Deus, Jesus era o profeta ideal, e, devido a sua relação íntima com o homem ele era o sacerdote ideal.

9- Rei. Salms. 72:8,11, Isaías 9:6,7; 32:1; Dan. 7:13; Mats. 2:26; 19:28 Jo. 12:13,15

V - A OBRA DE JESUS CRISTO.

Referimos a obra de Jesus Cristo em relação à nossa redenção, e não em relação a seu ministério pessoal de ensino, pregação e cura.

a-) A MORTE DE JESUS CRISTO.

Sua importância:

Conforme demonstrada, sua morte tinha em vista a expiação e fazer propiciação, ele nasceu para morrer. Manifestou-se para tirar os pecados. Encarnou-se a fim de que, ao assumir uma natureza semelhante a nossa, oferecesse sua vida em sacrifício pelos nossos pecados. Portanto a encarnação foi uma declaração da parte de Deus mostrando  o seu propósito,  ou seja: de promover salvação para o mundo.

A importância da morte de Jesus Cristo percebe-se no destaque que Deus lhe deu:

- Pelo lugar proeminente que lhe é dado nas Escrituras – Lcs. 24:27,44

- Foi assunto de investigação por parte dos profetas do Velho Testamento. I Pd 1:11

- Foi questão de profundo interesse por parte dos anjos – I Pd 1:12

- É uma das verdades cardeais do Evangelho – I Cor 15:1,4

- Foi assunto único da conversa por ocasião da transfiguração de Jesus Lcs 9:30,31

- Será o tema central do cântico celeste – Apoc. 5:8,12

Sua necessidade:

É razoável acreditar que a morte de Cristo era necessária, pois doutro modo Deus Pai jamais teria sujeitado seu Filho muito amado ao tremendo suplício da cruz.

- O próprio Jesus Cristo, refere-se à sua morte como necessidade – Jo. 3:14,15

- A santidade de Deus tornou-a necessária – Hc 1:13

- O amor de Deus tornou-a necessária – João 3:16

- O pecado do homem tornou-a necessária – I Pd 2:25

- O cumprimento da escrituras tornou-a necessária – Lcs 25:25-27

- O propósito de Deus tornou-a necessária At. 2:23

Sua natureza:

-          Foi pré-determinada, planejada com antecedência (Ats 2:23; I Pd 1:18,20).

-          Foi voluntária (por livre escolha, não por compulsão) Jo 10:17,18 – Gal 2:20

-          Foi  vicária (a favor de outros) Mats 20:28, I Cor 15:3, I Pd 3:18

-          Foi sacrificial (como holocausto pelo pecado) I Cor 5:7; Is. 53:5

-          Foi expiatória (apaziguando e tornando satisfatório) Gal 3:13

Seus resultados:

-    Em relação aos homens em geral, é introduzida a era da graça. Tt 2:11, e uma nova oportunidade é assegurada, sendo os homens atraídos a Deus. Roms 3:25, Jo 12:32,33

-   Uma propiciação foi providenciada,  e o pecado do mundo é purificado e removido – I Jo 4:10; Jo 1:29; 1:7,9.

-          O poder do pecado foi potencialmente anulado, foi providenciado livramento da escravidão da lei – Gal 2:14; Hbs 9:26.

-          Foi fornecida a base para a filiação e possibilitada a reconciliação com Deus  – Gal 4:3,5; Roms 5:10

-          É anulada a distância moral entre o crente e Deus, e garantido o perdão dos pecados. Efs 2:13, 1:7.

-          Foi  providenciada a base de sua justificação (ou absolvição da culpa), e removida para sempre a condenação. Roms, 8:32, 34; Roms 5:9.

-          Foi realizada sua aquisição para Deus, e esta garantida a doação de todas as coisas. I Cor. 6:20, Roms 8:32.

-          Satanás é destruído Provisionalmente tornado ineficaz), principados e poderes são derrotados. Hbs 2:14, Cols. 2:14,15.

b-) A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO.  II Tim 2:8, Mats 28:6.

A ressurreição de Jesus Cristo é um dos fatos mais bem comprovados da história humana. É sustentado e apoiado por provas exaustivamente investigadas, como bem poucos fatos históricos. Este fato é firmemente estabelecido nas Escrituras.

Sua realidade:

Como profetizada Salms 16:9,10

Como ensinada por Jesus mesmo  Mats 12:40; 16:4, Mcs 9:9; Lcs 18:33

Como testemunhado pelo anjo  Mats 28:6

Como ensinada pelos apóstolos  At 2:24; 3:15, Roms 1:4; 4:25,  I Pd 1:3; Apoc 1:5

Suas provas, conforme se vêem:

No sepulcro vazio. Lcs 24:3; Jo 20:1,8

Nas aparições do Senhor ressurreto. At 1:1,3;  Jo 20:16, Mts 28:5,9.

Aos discípulos. Lcs 24:13,32; Jo 20:19,29; I Cor 15:4,7

Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos, segundo as Escrituras conforme atestado por muitas provas infalíveis.

Seus resultados:

-          É o cumprimento da promessa de Deus aos pais. At 13:32,33; 3:25

-          Confirma a divindade de Jesus Cristo. Roms. 1:4, Lc 24:3.

-          Fornece uma ilustração da medida do poder de Deus, posto a disposição do crente. Efs 1:19,20.

-          Possibilita o crente tornar-se frutífero para Deus. Roms 7:4.

-          É o penhor divino do julgamento futuro. At 17:31.

-          Fornece-nos uma base concreta e inexpugnável para a certeza de nossa própria ressurreição futura. II Cor 4:14; I Tess 4:14.

Os resultados da ressurreição de Jesus Cristo são muitos e de grande alcance, constituindo uma parte essencial da fé e da salvação dos crentes.

c-)  SUA ASCENSÃO

-    Como profetizada – Salms 68:18

-    Como ensinada por Jesus mesmo. Jo 6:62

-          Como recordada pelo escritor evangélico. Mcs 16:19

-          Como recordada pelo historiador inspirado. At 1:9

-     Como declarada pelos Apóstolos. At 3:21, Efs 1:20; 4:8

-     Como profetizada por sua presença à destra do Pai. At. 7:56.

Depois de sua morte, Jesus voltou para a presença do Pai, ali recebeu novamente aquela glória que tinha antes que o mundo existisse, e as prerrogativas da divindade, então entrou em pleno uso daqueles poderes que tivera antes do período de sua humilhação, que vai de Belém ao  Monte das Oliveiras, dando assim inicio as épocas da exaltação, ou seja a ressurreição e a ascensão e reinado.  


 

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